O encanto e a literatura: a fantasia de C. S. Lewis como janela para a realidade
DOI:
https://doi.org/10.35819/tear.v14.n2.a7864Resumen
C. S. Lewis (1898 – 1963), célebre acadêmico de Oxford e Cambridge, foi um dos grandes nomes da literatura do século XX. Esse período foi marcado por significativas mudanças: a desilusão do pós-guerra fomentava a produção de uma literatura de cunho mais pessimista, enquanto as novas concepções de conhecimento, ciência e seus avanços estimulavam uma visão de mundo mais cientificista. No entanto, a postura adotada por autores como C. S. Lewis e J. R. R. Tolkien vai em outra direção: difere daquela que vê a fantasia como escapismo. Baseando-se nos “três transcendentais” – Beleza, Bondade e Verdade –, o artigo busca analisar o potencial da fantasia, defendido por Lewis, no processo de reencantamento do mundo. Adota-se uma metodologia qualitativa de caráter bibliográfico e analítico, fundamentada na leitura interpretativa da obra A Abolição do Homem, e também em textos teóricos e críticos sobre a filosofia e a literatura de Lewis e Tolkien. A análise articula o pensamento filosófico de Lewis sobre valores objetivos e transcendência com a dimensão estética e simbólica de sua produção literária, examinando de que modo a fantasia pode funcionar como um instrumento de mediação entre razão, emoção e imaginação. Conclui-se que a fantasia literária, longe de ser mero escapismo ou alegoria, oferece uma visão mais rica e complexa da existência humana e de suas relações com a realidade, mantendo-se relevante nos debates literários e pedagógicos atuais.
Palavras-chave: Fantasia. Encanto. Cientificismo.
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