Os movimentos das mulheres originárias no contexto neoliberal: a contribuição da literatura ao feminismo indígena
DOI:
https://doi.org/10.35819/tear.v14.n1.a7707Resumen
Movimentos feministas têm se formado em diferentes tempos, espaços e pautas. Em relação às mulheres originárias, para uma discussão especificamente sobre o feminismo, a década de 1980, no contexto neoliberal, é muito relevante. Com as políticas neoliberais que aprofundaram a expropriação e a exploração, os movimentos sociais indígenas se ampliaram e as mulheres tiveram papel fundamental ao denunciar as violências de gênero e a exclusão que vivenciam. Um dos principais resultados das lutas indígenas no Brasil foi a conquista da cidadania na Constituição Federal de 1988. Antes dessa lei, os povos originários eram tutelados e subordinados ao órgão indigenista, a Fundação Nacional do Índio (Funai). Com a conquista da autonomia, organizaram-se para que seus movimentos sociais tivessem maior visibilidade e maior articulação com os movimentos sociais urbanos. A partir da autodeterminação e das experiências nas mobilizações, as mulheres indígenas passaram a se organizar de forma mais específica, rumo ao feminismo, criando, na década de 1980, suas primeiras articulações. Por meio de revisão bibliográfica e documental e do estudos de obras literárias, este texto tem como objetivo discutir o feminismo indígena no contexto neoliberal e suas diferentes formas de expressão, desde as organizações políticas até as narrativas das mulheres originárias em suas obras literárias. Verifica-se um grande avanço nas conquistas das mulheres indígenas e seus movimentos feministas em termos de políticas públicas na atualidade, mas há, ainda, a necessidade de políticas públicas focalizadas na efetivação de todos os direitos das mulheres originárias.
Palavras-chave: Feminismo Indígena. Literatura. Política Neoliberal.
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