As escritas de si e os futuros possíveis: autoficção como ato ético, estético e político

Autores

DOI:

https://doi.org/10.35819/tear.v15.n1.a8255

Resumo

Este artigo discute a ascensão e a legitimação das "escritas de si" — narrativas autobiográficas e autoficcionais — na produção científica contemporânea, com destaque para o campo da Educação. Historicamente rejeitada pela ciência moderna sob a justificativa de proteger a objetividade contra os "ruídos" da subjetividade, a narrativa em primeira pessoa deixa de ser encarada como mero desabafo ou confissão para se consolidar como um instrumento de produção de conhecimento situado. Apoiando-se em epistemologias feministas, teorias pós-estruturalistas e na filosofia da linguagem, o texto articula as seguintes apostas ético-metodológicas: a) a inseparabilidade entre ficção e realidade; b) a palavra como ato político; c) a escrita como phármakon; e d) a autoficção como método. Por fim, o artigo conclui que assumir as escritas de si é um compromisso ético com as novas gerações. Ao reconhecer o caráter ficcional e construído da realidade, devolve-se aos sujeitos a capacidade e a esperança de fabular futuros possíveis diante de um cenário de aceleração, utilitarismo e de corrosão do porvir.

Palavras-chave: Autoficção. Escrita. Epistemologia feminista. Sensível.

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Biografia do Autor

  • Eduarda Ritzel, UFRGS

    Doutoranda em Educação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), na linha de pesquisa Aprendizagem e Ensino. Graduanda em Filosofia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Mestre em Educação e licenciada em Ciências Sociais pela mesma instituição. Atua como professora de Sociologia, Filosofia e História na rede pública de ensino do estado do Rio Grande do Sul. 

  • Rodrigo Lages e Silva, UFRGS

    Doutor em Psicologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). É professor do Departamento de Estudos Básicos (DEBAS) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do Programa de Pós-Graduação em Educação na linha Aprendizagem e Ensino. 

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Publicado

2026-07-13

Como Citar

As escritas de si e os futuros possíveis: autoficção como ato ético, estético e político. #Tear: Revista de Educação, Ciência e Tecnologia, Canoas, v. 15, n. 1, 2026. DOI: 10.35819/tear.v15.n1.a8255. Disponível em: https://periodicos.ifrs.edu.br/index.php/tear/article/view/8255. Acesso em: 14 jul. 2026.