Onde estão as intelectuais negras? Escrita (auto)biográfica e a produção do não lugar no campo acadêmico

Autores

DOI:

https://doi.org/10.35819/tear.v15.n1.a8249

Resumo

Quais fatores históricos, sociais e epistemológicos contribuem para a produção do não lugar das mulheres negras no campo acadêmico e para a invisibilização de seu trabalho intelectual? Partindo das provocações formuladas por bell hooks acerca da ausência das intelectuais negras nos espaços legitimados de produção do conhecimento, este artigo tem como objetivo analisar como a docência e a escrita de si operam como práticas contra-hegemônicas na constituição da mulher negra como sujeito do conhecimento, a partir de uma trajetória formativa situada na educação básica e no ensino superior. Metodologicamente, o texto se configura como um ensaio teórico-reflexivo, fundamentado na escrita (auto)biográfica como escolha epistemológica situada e contra-hegemônica. A partir da narrativa em primeira pessoa de uma docente negra atuante nos anos iniciais do ensino fundamental, em deslocamento à docência no ensino superior e à produção científica, articulada às contribuições de autoras e autores negros, discutem-se os mecanismos que produzem o medo da escrita, o não pertencimento e a deslegitimação do trabalho intelectual. Como resultados, argumenta-se que a escrita (auto)biográfica, ao tensionar a noção de neutralidade científica e afirmar a experiência como dimensão constitutiva do conhecimento, possibilita a visibilização de trajetórias historicamente silenciadas e a afirmação da mulher negra como sujeito epistêmico no campo acadêmico.

Palavras-chave: docentes negras; escrita (auto)biográfica; epistemologias negras.

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Biografia do Autor

  • Simone das Neves Encarnação Amancio, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

    Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Educação, Cultura e Comunicação da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Integra o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB/UERJ) e participa da Comissão de Bolsas do doutorado. Graduada em Ciências Sociais (Licenciatura) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2016), especialista em Orientação Educacional pela Faculdade Campos Elíseos (2021) e mestre em Práticas de Educação Básica pelo Colégio Pedro II (2022).Atua como professora da Educação Básica nas redes públicas dos municípios de Queimados e Nova Iguaçu. 

  • Sônia Beatriz dos Santos, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

    Pós-doutorado em Raça, Gênero e Política Pública, pelo Hubert H. Humphrey Institute of Public Affairs, University of Minnesota (2008-2009). Ph.D. em Antropologia Social pela University of Texas at Austin (2008) com especialização em Diáspora Africana. Mestre em Sociologia com concentração em Antropologia/ Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia (PPGSA) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (2000). Professora Associada da Faculdade de Educação, Departamento de Ciências Sociais e Educação, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação, Cultura e Comunicação em Periferias Urbanas da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense/FEBF-UERJ. Professora do Programa de Pós-graduação em Bioética, Ética Aplicada e Saúde Coletiva (PPGBIOs - Programa em associação com UFRJ, FIOCRUZ, UERJ, UFF). É Docente Coordenadora EaD da Disciplina Espaços Sociais de Formação Humana/ Pedagogia UERJ-CECIERJ. Pesquisadora do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da UERJ. Pesquisadora Bolsista Procientista UERJ/EDU (Período de vigência da bolsa: 01/11/2021-31/10/2024). 

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Publicado

2026-07-13

Como Citar

Onde estão as intelectuais negras? Escrita (auto)biográfica e a produção do não lugar no campo acadêmico. #Tear: Revista de Educação, Ciência e Tecnologia, Canoas, v. 15, n. 1, 2026. DOI: 10.35819/tear.v15.n1.a8249. Disponível em: https://periodicos.ifrs.edu.br/index.php/tear/article/view/8249. Acesso em: 14 jul. 2026.