O “monstro” na sala de aula: afetações e poder no cotidiano escolar em Dourados/MS
DOI:
https://doi.org/10.35819/tear.v15.n1.a8198Resumo
O artigo analisa os tensionamentos produzidos no encontro entre antropologia e educação, observando como a subjetividade docente é atravessada por relações de poder, vigilância biopolítica e marcadores sociais. Fundamentado em experiências de afetação vivenciadas entre 2020 e 2024 na docência de Sociologia em escolas estaduais de Dourados, Mato Grosso do Sul, o trabalho problematiza o distanciamento entre as normatividades jurídicas e as práticas cotidianas escolares. A metodologia assume a indissociabilidade entre investigação acadêmica e exercício docente, tratando o cotidiano escolar como campo etnográfico. A análise aborda a instabilidade estrutural do campo educacional sul-mato-grossense, os documentos curriculares como dispositivos de controle e a dimensão do corpo docente "transviad@" como catalisador de deslocamentos institucionais. As (in)conclusões apontam que a hegemonia conservadora regional, vinculada ao agronegócio, impõe mecanismos de vigilância que restringem o debate sobre diversidade e a reflexão crítica. Conclui-se que a docência é um espaço inevitavelmente político e que a presença de subjetividades dissidentes em sala de aula, apesar dos mecanismos de controle, tensiona os limites do que é considerado legítimo, ampliando os horizontes de reconhecimento e o potencial de transformação da escola.
Palavras-chave: Docência. Mato Grosso do Sul. Antropologia. Diversidade.
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