“Se eu não tivesse casado, eu não tinha parado de estudar”: desafios para igualdade de gênero no acesso à educação de jovens e adultos do campo à cidade

  • Shana Sampaio Sieber Pesquisadora colaboradora do DADÁ: Grupo de Pesquisa em Relações de Gênero, Sexualidade e Saúde da Universidade Federal Rural de Pernambuco - Unidade Acadêmica de Serra Talhada http://orcid.org/0000-0001-5286-4589
  • Juliana Nascimento Funari Pesquisadora colaboradora do DADÁ: Grupo de Pesquisa em Relações de Gênero, Sexualidade e Saúde da Universidade Federal Rural de Pernambuco - Unidade Acadêmica de Serra Talhada http://orcid.org/0000-0002-3035-2950
  • Lorena Lima Moraes Professora Adjunta da Universidade Federal Rural de Pernambuco - Unidade Acadêmica de Serra Talhada http://orcid.org/0000-0002-8656-2412

Resumo

Resumo: O presente artigo pretende fazer uma provocação acerca das relações de gênero no acesso à educação, a partir do contexto da Educação de Jovens e Adultos (EJA), do município de Triunfo, sertão de Pernambuco - Brasil, através de uma problematização realizada junto aos estudantes da EJA Regular e Campo em duas escolas públicas. Optou-se pela realização de grupos focais com o apoio de metodologias participativas, tais como a “chuva de ideias” e a “árvore de problemas” para observar as reações dos sujeitos envolvidos, registrar as falas e comportamentos, e analisar as interações entre as/os participantes. Esta reflexão vai demonstrar que mesmo com alguns avanços no acesso das mulheres à educação no Brasil, jovens e adultas(os) da EJA apontam que as desigualdades de gênero somadas às dificuldades de mobilidade, ainda são obstáculos concretos vivenciados pelas mulheres rurais e urbanas, dificultando os caminhos até à escola.

Palavras-chave: Desigualdade de Gênero. Educação do Campo. EJA

 

IF I HADN'T MARRIED, I WOULDN’T HAVE QUIT SCHOOL: CHALLENGES IN GENDER EQUALITY IN THE ACCESS TO YOUTH AND ADULT EDUCATION FROM THE COUNTRYSIDE TO THE CITY

Abstract: The present article intends to foster a discussion on gender relations regarding access to education, focusing on the context of the Adult and Youth Educational Program (EJA), in the city of Triunfo (PE), hinterland of Pernambuco – Brazil. The objective was reached through the problematizing of gender and access to education amongst Regular and Countryside EJA students carried out in two public schools. Focal groups’ discussionstook place with the support of participative methodologies, such as "brainstorming" and "problematizing trees" to observe the reactions of the actors involved, record the speeches and behaviors, and analyze participants’ interactions. The thoughts and analytical data portrayed here will show that even with some advances in women's access to education in Brazil, Young and Adult students, both female and male, point out that gender inequalities, coupled with access to schools and mobility issues, are still concrete obstacles experienced by rural and urban women today.

Keywords: Gender inequality. Countryside Education. EJA.

Biografia do Autor

Shana Sampaio Sieber, Pesquisadora colaboradora do DADÁ: Grupo de Pesquisa em Relações de Gênero, Sexualidade e Saúde da Universidade Federal Rural de Pernambuco - Unidade Acadêmica de Serra Talhada
Graduada em Engenharia Florestal pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - UNESP (2006), Mestra em Ciências Florestais na Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE (2009), com linha de pesquisa em Etnobotânica; e Doutorada em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Campina Grande, com linha de pesquisa em Desenvolvimento, Ruralidades e Políticas Públicas. Tenho experiência na área de Etnobotânica, Etnoecologia, Percepção Ambiental e Educação Ambiental, desenvolvendo trabalhos com metodologias participativas junto a agricultores e agricultoras familiares e comunidades indígenas. Atualmente tenho me interessado pelas seguintes temáticas: Sociologia rural, Agricultura Familiar, Pesca Artesanal, Agroecologia, Políticas Públicas, Extensão Rural, Convivência com o Semiárido, Educação do Campo, Mulheres Rurais e Gênero. Faço parte do Núcleo de Estudos e Práticas Agroecológicas do Semiárido e do DADÁ: Grupo de Pesquisa em Relações de Gênero, Sexualidade e Saúde da Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE/UAST, atuando no Projeto ?Mulheres rurais e o uso do tempo: divisão sexual do trabalho e relações de gênero em Pernambuco? (Dadá/UFRPE).
Juliana Nascimento Funari, Pesquisadora colaboradora do DADÁ: Grupo de Pesquisa em Relações de Gênero, Sexualidade e Saúde da Universidade Federal Rural de Pernambuco - Unidade Acadêmica de Serra Talhada
Bacharela em Gestão Ambiental pela Universidade de São Paulo (USP) e mestra em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal de Pernambuco (PRODEMA-UFPE). Possui 6 anos de experiência profissional no campo socioambiental, onde trabalhou por 3 anos na equipe de Direitos das Mulheres da ONG ActionAid Brasil, e por 1 ano na ONG Centro de Desenvolvimento Agroecológico Sabiá como assessora técnica, entre outros trabalhos como consultora socioambiental junto a ONGs, movimentos sociais e de mulheres. Foi integrante do NEPPAG-Ayni (Núcleo de Estudos Pesquisa e Práticas em Agroecologia e Geografia) da UFPE (desde 2104) e bolsista do Projeto Rede de Núcleos de Agroecologia do Nordeste-RENDA. Atualmente integra o Dadá- Grupo de Pesquisa em Relações de Gênero, Sexualidade e Saúde (UFRPE/UAST) e contribui com o núcleo JUREMA: Feminismos, Agroecologia e Ruralidades (UFRPE/DECISO). Atua principalmente nos seguintes temas: agroecologia, feminismo, ecologia política, relações sociedade-natureza, água, gestão de recursos hídricos, convivência com o semiárido, desenvolvimento rural, tecnologias socioambientais, agricultura urbana, movimentos de mulheres, mulheres rurais, povos e comunidades tradicionais.
Lorena Lima Moraes, Professora Adjunta da Universidade Federal Rural de Pernambuco - Unidade Acadêmica de Serra Talhada
Graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2006), mestre em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2011) e doutora em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2016). Atualmente é professora Adjunta da Universidade Federal Rural de Pernambuco, alocada na Unidade Acadêmica de Serra Talhada. Tem experiência na área de Sociologia e Antropologia, atuando principalmente nos seguintes temas: sexualidade, saúde sexual, saúde reprodutiva, feminismo, relações de gênero, organização do trabalho científico, agroecologia, mulheres rurais e participação política. É líder do Dadá - Grupo de Pesquisa em Relações de Gênero, Sexualidade e Saúde (UFRPE/UAST) e pesquisadora colaboradora do Núcleo de Pesquisa em Desigualdades e Relações de Gênero (NUDERG/UERJ).
Publicado
2019-07-05