“Já pensamos em espanhol”: reflexões sobre a aprendizagem de espanhol através de produções escritas de discentes do ensino técnico

Autores

  • Antonio Ferreira da Silva Júnior Doutor em Letras Neolatinas (UFRJ) e Professor de Língua Espanhola do Cefet/Rj
  • Priscila da Silva Marinho Doutoranda na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Bolsista CNPq

DOI:

https://doi.org/10.35819/linguatec.v3.n1.a2895

Palavras-chave:

Ensino-aprendizagem de línguas, Língua materna, Língua estrangeira, espanhol, produção escrita.

Resumo

O presente artigo propõe investigar e expor a experiência teórico-prática vivenciada entre professor regente, estagiária em formação e corpo discente de uma escola tecnológica, localizada no Rio de Janeiro, em relação ao processo de aprendizagem do espanhol. O foco da reflexão pauta-se em falas e produções escritas produzidas por alunos de espanhol do 1º ano do Ensino Médio e geradas numa situação de avaliação bimestral. Quando levados a ponderar sobre sua aprendizagem e produção textual em língua espanhola, os alunos, em sua maioria, afirmam pensar direto em língua estrangeira (LE) para registrar seus textos. Contudo, em nossa análise dos dados, refletimos sobre como se figura uma relação entre a língua materna (LM) e a LE no processo de subjetividades do aprendiz.  Tomamos como referencial teórico para pensar a contribuição da LM na aprendizagem da LE os estudos de Serrani (1997), Revuz (1998), Celada (2004, 2008) e Grigoletto (2010), além de algumas contribuições filosóficas de Bakhtin (2014). A experiência compartilhada nos leva a cogitar a necessidade de discussão e inserção dos processos de aprendizagem na formação linguístico-discursiva de nossos alunos, sendo essa uma prática que pode contribuir para a não naturalização de certas crenças sobre o ensino de línguas na escola.  Esperamos que o artigo também possibilite analisar a importância da aprendizagem do espanhol no contexto da educação profissional e de seu ensino entre as opções delíngua estrangeira daEducação Básica, propostas rechaçadas a partir da aprovação da Lei nº 13.415/2017 (BRASIL, 20017).

 

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Antonio Ferreira da Silva Júnior, Doutor em Letras Neolatinas (UFRJ) e Professor de Língua Espanhola do Cefet/Rj

Possui Bacharelado e Licenciatura em Letras (Português-Espanhol) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Especialização em Língua Espanhola Instrumental para Leitura pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Mestrado e Doutorado em Letras Neolatinas pela UFRJ. Pós-Doutorado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (LAEL/PUCSP). Foi Professor concursado de Didática do Português-Espanhol da Faculdade de Educação da UFRJ. Atualmente, é Professor do Departamento de Línguas Estrangeiras Aplicadas do Ensino Superior (Área: Espanhol e Línguas para Fins Específicos) do CEFET/RJ, atuando no Bacharelado em Línguas Estrangeiras Aplicadas às Negociações Internacionais e na Especialização em Ensino de Línguas Adicionais. Atuou como coordenador adjunto de Língua Estrangeira Moderna (Espanhol) do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), Ensino Médio 2018 (Ministério da Educação). Também realiza estágio Pós-Doutoral em Educação na Universidade de São Paulo (USP). Tem experiência na área de Linguística Aplicada com ênfase nos seguintes temas: formação de professores de espanhol, formação de professores de Letras/ Espanhol nos Institutos Federais, narrativas docentes, pesquisa narrativa, ensino de espanhol nos Institutos Federais e ensino de espanhol para fins específicos.

Priscila da Silva Marinho, Doutoranda na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Bolsista CNPq

É mestre (2016) em Letras Neolatinas e graduada (2011) em Letras Português/Espanhol, ambos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Atua nos seguintes temas: Língua Materna, Língua Estrangeira, Formações Discursivas, Produção Escrita, Heterogeneidade Constitutiva da Escrita e Inscrição em Discursividades. Iniciou, em Março de 2017, o Doutorado em Letras Neolatinas, opção Língua Espanhola, sob orientação do prof. Dr. Antonio Francisco de Andrade Júnior, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Seu projeto intitula-se ''A perspectiva discursiva na formação de professores: análise de produções escritas de licenciandos de Letras Português/Espanhol sobre o cacerolazo argentino e o panelaço brasileiro''.

Referências

ALMEIDA FILHO, J. C. P. Quatro estações no ensino de línguas. Campinas: Pontes Editores, 2012.

BAKHTIN, M./ VOLOCHINOV, V. N. Marxismo e Filosofia da Linguagem. 16ª edição. São Paulo: Hucitec, 2014.

BRASIL. Lei nº 13.415, de 16 de fevereiro de 2017.

_____. Orientações Curriculares para o Ensino Médio: linguagens, códigos e suas tecnologias. Brasília: SEB/MEC, 2006.

CELADA, M. T. Lengua extranjera y subjetividad – apuntes sobre un proceso. Estudos Linguísticos. São Paulo, Campinas, 2004. Disponível em: <http://www.gel.org.br/estudoslinguisticos/edicoesanteriores/4publica-estudos-2004/4publica-estudos2004-pdfs-mesas/lengua_extranjera.pdf>

_____. O que quer, o que pode uma língua - Língua estrangeira, memória discursiva, subjetividade. Letras. Universidade Federal de Santa Maria, 2008. Disponível em: <http://cascavel.ufsm.br/revistas/ojs-2.2.2/index.php/letras/article/view/11985/7399>.

CIAVATTA, M. & SILVEIRA, Z. S. Celso Suckow da Fonseca. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, Editora Massangana, 2010.

GRIGOLETTO, M. Processos de significação na aula de leitura em língua estrangeira. In: CORACINI, M. J. R. F. (org.). O jogo discursivo na aula de leitura: língua materna e língua estrangeira. 3ª edição. São Paulo: Pontes, 2010, p. 103-110.

NORTE, A. L. Internacionalização do Cefet/Rj: tendência mundial, crescimento e protagonismo discente. In: Tecnologia & Cultura, no23, ano 16 (jan/jun. 2014). Rio de Janeiro: Cefet/Rj, 2014, p. 7-14.

REVUZ, C. A língua estrangeira: entre o desejo de um outro lugar e o risco do exílio. In: SIGNORINI, Inês (Org.). Lingua(gem) e identidade. São Paulo: Mercado de Letras, 1998, p. 213-230.

SERRANI, S. Formações discursivas e processos identificatórios na aquisição de línguas. DELTA - Revista de Documentação de Estudos em Linguística Aplicada, n. 1, vol.13, [versão online], São Paulo: fevereiro, 1997.

SILVA JÚNIOR, A. F. O ensino de espanhol num centro federal de educação tecnológica: articulando saberes. Revista FACEVV, v.5, 2010, p. 13-22.

______. A trajetória do espanhol e seu ensino no curso técnico de Turismo do Cefet/Rj. Actas del Simposio Internacional de Didáctica del Español como lengua extranjera. Rio de Janeiro: Instituto Cervantes, 2008, p. 79-87. Disponível em: < https://cvc.cervantes.es/ensenanza/biblioteca_ele/publicaciones_centros/PDF/rio_2008/08_dasilva.pdf>.

Downloads

Publicado

2018-06-24

Edição

Seção

Artigos Acadêmicos