Entre artefatos e narrativas: cultura maker e o desenvolvimento profissional docente no ensino de ciências
DOI:
https://doi.org/10.35819/tear.v15.n1.a8140Resumo
Este artigo analisou as narrativas de professores de ciências da natureza participantes de uma formação continuada realizada em um espaço maker, investigando e em que medida emergem percepções, tensões ou reconfigurações na prática pedagógica mediante a interação com artefatos desenvolvidos por fabricação digital. Fundamentado nas discussões sobre formação continuada como dimensão da profissionalização docente, competências digitais e cultura maker, o estudo adotou abordagem qualitativa de natureza interpretativa. Participaram 35 professores atuantes nos anos finais do ensino fundamental, organizados em oito grupos, que manusearam produtos educacionais confeccionados por impressão 3D, corte a laser e materiais de baixo custo, relacionados a conteúdos de biologia, física e química. A produção dos dados ocorreu por meio de audiodescrições orientadas por questões abertas, complementadas por 47 unidades de registro extraídas das respostas individuais. Os dados foram submetidos à análise temática, organizados nas categorias Pedagógica, Desenvolvimento Profissional e Cidadania Digital. Os resultados indicaram predominância da dimensão pedagógica, especialmente no que se refere à aplicabilidade didática, à ludicidade e à materialização de conceitos científicos abstratos. Também emergiram indícios de curadoria docente, adaptação criativa dos materiais, tensões relacionadas à adequação curricular e demandas por mediação e acessibilidade. Concluiu-se que a experiência formativa mediada por artefatos maker mobilizou processos reflexivos associados ao desenvolvimento profissional docente, evidenciando potencialidades e limites da integração entre tecnologia e ensino de ciências na escola pública.
Palavras-chave: Formação continuada. Cultura maker. Ensino de Ciências.
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