Falta educação financeira? Do discurso que desconsidera precarizações e expropriações às perspectivas contra-hegemônicas
DOI:
https://doi.org/10.35819/tear.v14.n1.a7705Resumo
Em tempos de capitalismo neoliberal financeirizado, marcado por expropriações e crescente precarização das condições de vida de muitos, difunde-se a ideia que nos falta educação financeira. Este ensaio busca problematizar essa perspectiva mainstream e apresentar referências contra-hegemônicas com o intuito de fomentar discussões para que possamos ser desafiadores em relação às finanças. Inicio com análises, sobretudo de autoras feministas, sobre o contexto atual. Em seguida, compartilho indagações e conhecimentos desenvolvidos a partir de pesquisas sobre consumo, crédito e endividamento, temas que se articulam na produção da subjetividade contemporânea e, assim, na sustentação do sistema vigente. Na seção seguinte, examino como a educação financeira, em menos de duas décadas, constituiu-se e vivenciou uma explosão discursiva em nosso país enquanto pauta política, acadêmica e midiática. Na quarta e última seção, apresento a noção de potência feminista como capacidade desejante e perspectivas brasileiras de educação financeira contra-hegemônicas, destacando algumas que, de formas diversas, se articulam a diferentes feminismos. A partir das pedagogias feministas, reflito sobre possibilidades de desobediência à lógica das finanças dentro e fora das instituições educacionais. Com base nas contestações feministas à questão da dívida, problematizo sua moralização e o estigma associado ao “nome sujo”. Analiso o Feirão Limpa Nome, iniciativa para renegociação de dívidas promovida pela empresa Serasa para descontruir a dicotomia entre credor benevolente e devedor irresponsável. Por fim, diante da expropriação diferencial que atinge muitos, ressalto a importância de produzir e compartilhar conhecimentos disruptivos neste campo.
Palavras-chave: Educação Financeira. Feminismo. Endividamento.
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