Desromantizando um clichê: After e a naturalização da violência de gênero
DOI:
https://doi.org/10.35819/linguatec.v10.n2.7905Resumo
O artigo tem como objetivo comprovar a banalidade com que a série literária After, de Anna Todd, retrata um relacionamento abusivo constituído por violência de gênero. Para tanto, o referencial teórico pauta-se, principalmente, nos preceitos da Lei nº 11.340, de 07 de agosto de 2006, conhecida como Lei Maria da Penha (2006) e nos informativos e cartilhas governamentais sobre essa problemática. Assim, a definição de violência doméstica e seus desdobramentos constitutivos permeiam esse trabalho cujo corpus de pesquisa é composto por trechos da série analisada. A escolha pelos livros que compõem After deu-se pela presença de episódios que, muitas vezes, sob um pretexto apelativo e sexual, banalizam formas de violência explícita. Apesar disso, a série tornou-se mundialmente reconhecida ao atingir um bilhão de leituras na plataforma em que foi lançada e vender 15 milhões de cópias impressas no ano seguinte (After BR, 2014). A pesquisa apresentada é de cunho bibliográfico e documental com abordagem de dados qualitativa, visto que o objetivo é entender a banalização da violência no material literário analisado. Pretende-se evidenciar de que maneira o mercado editorial hegemônico eufemiza formas de violência contra a mulher sob o pretexto de serem pequenos conflitos conjugais. Na análise e discussão dos dados é feita uma crítica ao material ficcional com base no conteúdo teórico. Os resultados evidenciam que a protagonista foi vítima de violência doméstica, mesmo que de forma romantizada pela autora por intermédio de uma narrativa que naturaliza a violência contra a mulher. O que enseja um seguimento da pesquisa sob um viés sociológico das relações de gênero.
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Copyright (c) 2025 Raquel Folmer Correa, Laura Cristina Noal Madalozzo, Mariana Alban Matheus

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