Mais Inglês MT e a Experiência de Estudantes: Tensões entre Inovação, Representatividade e Performatividade
DOI:
https://doi.org/10.35819/linguatec.v11.n1.8084Resumo
Nas últimas décadas, a incorporação de plataformas digitais às políticas públicas de educação tem reconfigurado os modos de ensinar e aprender, intensificando-se no contexto pós-pandemia. Mais do que ferramentas pedagógicas, essas tecnologias funcionam como infraestruturas de mediação, governança e produção de sentidos, impactando o currículo, o trabalho docente e a subjetividade discente. Este estudo, uma pesquisa piloto com 10 (dez) estudantes, analisou a plataformização do ensino de língua inglesa em Mato Grosso por meio do Programa Mais Inglês MT, que utiliza a plataforma digital desenvolvida pela EF Education First no Ensino Médio da rede estadual. O objetivo foi compreender como jovens estudantes narram suas experiências com a plataforma, problematizando as tensões entre a promessa de inovação e inclusão e os efeitos concretos da mediação algorítmica no cotidiano escolar. Os dados foram coletados por meio de entrevistas narrativas e analisados pela articulação entre análise narrativa e Análise Crítica do Discurso. Os resultados indicam experiências marcadas por estranhamento, insegurança, pressão por desempenho e baixa identificação cultural, evidenciando limites relacionados à representatividade, à hierarquização de sotaques e ao apagamento de repertórios culturais locais. Conclui-se que a plataformização do ensino de inglês, quando desvinculada das condições materiais, sociais e culturais dos sujeitos, tende a reforçar desigualdades simbólicas e pedagógicas, destacando a necessidade de políticas de formação crítica, equidade digital e governança democrática das tecnologias educacionais.
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