Gêneros Digitais: entre os multiletramentos e o ensino crítico de Língua Portuguesa
DOI:
https://doi.org/10.35819/linguatec.v10.n2.7913Resumo
Examina-se, neste artigo, a inclusão dos gêneros digitais no ensino de Língua Portuguesa ao articular três dimensões: a cultura digital, os multiletramentos e a perspectiva crítica no ensino-aprendizagem. Tecem-se considerações sobre o cenário educacional pós-pandemia de COVID-19, que, ao mesmo tempo, acelerou o uso das Tecnologias Digitais e agravou os desafios na área da Educação, especialmente os associados às desigualdades sociais e ao agravamento de questões psicossocioemocionais e cognitivas. Defende-se neste estudo que as Tecnologias Digitais devem ser centrais no processo de ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa para formar sujeitos críticos e participativos. O arcabouço teórico utilizado é oriundo das reflexões de Pierre Lévy (1999), Luiz Antônio Marcuschi (2006), Rojane Rojo e Eduardo Moura (2019) e Tony Bates (2017). Lévy auxilia a definir o que é a cultura digital e suas particulares; Marcuschi analisa as características dos gêneros textuais valendo-se de um agrupamento de perspectivas teóricas da Linguística Textual; Rojo e Moura abordam os multiletramentos quando discutem a necessidade de decodificar, criticar e produzir sentidos em múltiplas linguagens e mídias; e Tony Bates trata da união entre a filosofia de ensino em contexto digital e o letramento docente das ferramentas desse cenário. Encerra-se a discussão exemplificando, a partir de um relato de experiência, como se pode trabalhar, mobilizando as reflexões teóricas elencadas, com o texto publicitário na sua modalidade digital em turmas de nono ano do Ensino Fundamental a partir do gênero videocast a fim de analisar campanhas sob um viés ético e crítico. Dessa maneira, o ensino de Língua Portuguesa pode promover um engajamento cidadão e estimular os estudantes a intervirem de forma reflexiva e responsável na cultura digital.
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