Entre traças de leitura e caçadores de identidade: a trajetória dialógica da comunidade de leitores do IFRN – Campus Macau

Resumo

Este trabalho discute o fenômeno de formação de comunidades de leitores e seus desdobramentos no ambiente escolar e em seu entorno a partir da análise do Clube do Livro Macau/RN. Idealizado por alunos de cursos técnico-integrados do Instituto Federal do Rio Grande do Norte - Campus Macau em 2011, a comunidade de leitores se reúne ao longo do período escolar para discutir obras escolhidas pelos participantes e fomentar o processo de formação de leitores na escola. A partir das concepções teóricas do Círculo de Bakhtin e de reflexões de teóricos da Linguística Aplicada, é possível agregar à discussão questões como as forças verbo-ideológicas, no que concerne ao embate de forças na arena discursiva desses clubes que misturam com naturalidade o cânone e o popular, propiciando o ato de descolecionar (CANCLINI, 2015), e a noção de acabamento, tendo em vista a necessidade do outro literário para se construir identitariamente nesses ambientes. Pretende-se, portanto, compreender quais elementos sociais levaram à construção desse clube e seus efeitos na comunidade escolar em que se mantém até hoje, bem como prever os possíveis embates de um discurso que se gesta na escola a partir da literatura e sai de seus muros para as cidades dos leitores. A pesquisa se constrói a partir do paradigma indiciário (GINZBURG, 1985) o qual permite, a partir de entrevistas por vídeo com os idealizadores do clube, traçar questões referentes ao processo de formação de comunidades (CHARTIER, 1991), de construção identitária (HALL, 2015) e de significação dos corpos envolvidos nessas práticas discursivas (LOURO, 2016).

Publicado
2019-11-19
Seção
Artigos Acadêmicos