Gênero e sexualidade na escola: concepções e construções sociais

  • Thiago Steemburgo de Paula Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul - Campus Bento Gonçalves
  • Denise Cristina Canal Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul - Campus Bento Gonçalves
  • Jean Carlo Pizzoli Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul - Campus Bento Gonçalves
  • Edson Carpes Camargo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul - Campus Bento Gonçalves
Palavras-chave: Gênero, Educação, Diversidade

Resumo

Conviver na sociedade atual requer uma visão ampla das situações que cercam a vida humana. As mudanças e a inserção de novos conceitos na organização social que está posta gera uma série de questionamentos e dúvidas que desestabilizam as certezas do senso comum. Os estudos e debates acerca da identidade de gênero e da sexualidade são alguns dos calos no pé da sociedade, que continua querendo esconder as diferenças e impor certa “normalidade” ao modo de vida da humanidade. A educação é o modo de ampliar conhecimentos e encurtar a distância entre estes assuntos e a população. Diante disso, nota-se a necessidade de ampliar as discussões sobre estes assuntos na escola, pois são situações que fazem parte do cotidiano dos estudantes, que inúmeras vezes sofrem preconceito, pois as pessoas a seu redor sentem dificuldades em tratar com esta diversidade. Por isso, este estudo tem como objetivo identificar como professores dos anos finais do ensino fundamental das escolas públicas estaduais localizadas na região da Serra Gaúcha compreendem as relações de gênero que se estabelecem na escola, bem como se apresentam as diversas sexualidades. Como metodologia, o estudo foi articulado com as escolas estaduais de Educação Básica buscando, por meio de entrevistas semiestruturadas realizadas com 08 professores de diferentes componentes curriculares, elementos para problematizar as relações de gênero e a sexualidade no espaço escolar. Os resultados foram estruturados e categorizados para serem analisados conforme a análise do discurso, proposto por Orlandi (1999). O espaço educativo necessita de sujeitos da experiência, que tenham coragem de tomar decisões e vontade de experimentar. É incapaz de experiência “o sujeito que se põe, se opõe, se impõe ou se propõe” (LARROSA, 2004, p. 161) porque a ele nada atravessa, nada acontece, nada lhe toca. Esses sujeitos da experiência precisam estar abertos ao novo, às diferenças, às pluralidades manifestadas na prática docente. Enquanto sujeitos históricos e culturais, educadores e educandos, estão em permanente processo de humanização e integração, aprendendo a pensar e a refletir sobre as suas experiências. Então, urge a necessidade de problematizar no ambiente escolar as relações de gênero e a sexualidade, possibilitando um novo olhar para os sujeitos contemporâneos. Daí que tratar de sexualidade na escola de educação básica, torna-se essencial, pois ainda temos, enquanto professores, uma noção de que os 'padrões sociais estabelecidos' são os que devem ser seguidos. Contudo, os alunos que se apresentam na escola hoje, são sujeitos da diversidade, da diferença, quebrando todos os padrões que até então estavam estabelecidos.

Publicado
2015-11-30