A prática da Educação Ambiental como instrumento de promoção social e profissional – a abordagem do Programa Agita na Juventude

  • Daniela Forgiarini da Silva Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul - Campus Porto Alegre
  • Cibele Schwanke Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul - Campus Porto Alegre
Palavras-chave: Educação Ambiental, Cidadania, Socioambiental, Meio Ambiente, Sustentabilidade

Resumo

Cientes da função transformadora que a Educação Ambiental (EA) pode proporcionar nos sujeitos envolvidos e sua relevância em comunidades em situação de vulnerabilidade, relata-se como o projeto desenvolvido junto à comunidade da Vila Cristal (Porto Alegre, RS) tem sido realizado. A ação é desenvolvida por discentes do curso de Tecnologia em Gestão Ambiental e Licenciatura em Ciências da Natureza do IFRS-Câmpus Porto Alegre integrantes do Programa Agita na Juventude 2015 (MEC/SESu PROEXT/2015), em parceria com bolsistas do Programa Pet-Conexões Gestão Ambiental (PET/MEC SESu/SECADi), com o Programa Integrado Socioambiental (Prefeitura Municipal de Porto Alegre) e com a organização não governamental Casa de Nazaré. A ação com início em 2014 estará em execução até dezembro de 2016, atendendo cerca de 1.175 famílias afetadas pelo projeto de saneamento e revitalização das margens do Arroio Cavalhada que sofrem com os problemas sociais decorrentes da ocupação irregular ao longo de pelo menos três décadas, como descarte irregular de resíduos, problemas de moradia, saneamento e alagamentos. Pensando nos futuros gestores ambientais e educadores, considera-se que o profissional que utiliza a EA como viés para transformar o meio tem como função ser um mediador na construção de referenciais ambientais e deve saber usá-los como instrumentos para uma prática social centrada no conceito da natureza. Assim, a ação permite que, de forma interdisciplinar, os discentes vivenciem situações que favoreçam uma postura reflexiva sobre seu papel social enquanto futuros profissionais, a partir da perspectiva de que a EA suscita debates, contribuindo na construção de uma sociedade democrática. Destaca-se que o objetivo geral de propiciar a elaboração de mudanças no comportamento da comunidade só pode ser almejado mediante a produção de novos conhecimentos entre os grupos participantes, o estreitamento da relação entre os diferentes atores envolvidos através do diálogo de saberes e vivências, desenvolvendo novas possibilidades de vinculação social entre sujeitos, sobretudo com o estreitamento de laços de confiança e responsabilidade. Sendo uma proposta extensionista fundamentada na prática dialógica, reflexiva e participante, promovida pela pesquisa-ação, diversas práticas foram pensadas junto com a comunidade, destacando-se a manutenção de uma horta orgânica, cursos diversos e revitalização de espaços. Tais ações têm criado espaços para a reflexão de temas ambientais emergentes e a proposição de novas ações criativas e transformadoras, destacando-se a conquista de maior autonomia, oportunizando uma melhor integração social dos grupos participantes e, portanto, resgate da dignidade e empoderamento social. Para os discentes, a troca de experiências e de conhecimentos em grupo e a construção de valores sociais, sob ópticas distintas de um futuro gestor ambiental e de um futuro professor, reforça a transversalidade da Educação Ambiental.

Publicado
2015-11-30